O atravessamento da pandemia na educação e os fatores socioeconômicos.
- gabrielconcerondon
- 25 de ago. de 2021
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Atualizado: 25 de ago. de 2021
Autoria: Gabriel da Conceição Rondon (Rondon, G. C.); Rebecka da Silva Artusi (Artusi, R. S.).
Diante do atual cenário pandêmico, que desde 2020 apresenta alta taxa de contaminação e letalidade causada pelo coronavírus – SARS-Cov-2, fez-se necessário adotar medidas sanitárias para evitar o rápido contágio das populações, sendo uma delas, o isolamento social. A quarentena, então, forçou de forma abrupta e emergencial a inclusão do ensino remoto nas instituições escolares públicas e privadas.
O Ensino Remoto Emergencial (ERE) é um amparo ao ensino convencional, que visa diminuir os impactos oriundos do distanciamento social. Notório neste ponto, que o que era para servir de suporte acaba por evidenciar a escassa e/ou a falta de acessibilidade de recursos básicos já existentes no Brasil como: internet e aparato tecnológico, levando em conta também sua qualidade, acometendo majoritariamente famílias de menor classe social (JOYE et al, 2020 apud ALFARO, CLESAR; GIRAFFA, 2020).
Um estudo feito na cidade de Vertente do Lério em Pernambuco, em uma escola municipal, apontou que o rendimento escolar de alguns alunos decaiu, inclusive dos considerados “bons alunos”, devido à baixa atuação dos familiares frente aos estudos, isso se dá pelo fato de haver múltiplos fatores sociais existentes em cada família, como: não saber ler, trabalhar o dia todo restringido o uso do aparelho celular aos filhos(as) para estudar somente à noite etc (ARRUDA; NASCIMENTO, 2021).
Tendo em vista que, neste contexto, o desempenho escolar dos alunos carrega consigo a influência de tais fatores, a escola de Vertente do Lério efetuou modificações em seu método avaliativo, pautando-se no projeto intitulado: “É de casa!” que incentivou a implementação de uma avaliação qualitativa e reflexiva em oposição ao formato quantitativo e objetivo. Houve a flexibilização por parte da Secretaria Municipal de Educação, na periodicidade das avaliações, remodelando-as para um formato diário ou semanal. De comum acordo, a coordenadora da escola aponta que esta atitude permitiu um olhar empático para com os alunos e suas famílias, pois avaliar o discente em período tal como este é também avaliar seu grupo familiar. Com isso, os educadores da escola em questão designaram como critério avaliativo a participação, interação e esforço demonstrados pelos alunos ao realizar as atividades escolares propostas, livre de uma avaliação que seja composta de erros e acertos (ARRUDA; NASCIMENTO, 2021).
Nóvoa (2020) apud Arruda e Nascimento (2021) salienta que as práticas pedagógicas sofrerão mudanças, propondo ainda, como desafio, repensar a construção da educação e da escola como um todo, no mundo pós-pandemia.
Além dos alunos, os professores também precisaram se adequar ao novo formato de ensino emergencial. Uma pesquisa realizada com docentes do município de Alegrete, no Rio Grande do Sul, em instituições de rede pública e privada, demonstrou que 30,2% dos profissionais não tiveram nenhuma interação com o ambiente digital durante sua formação inicial, sobretudo aqueles cujo ano de graduação é mais distante, tornando-se um dos desafios enfrentados no processo de adaptação ao ERE. Nesta mesma entrevista, houve profissionais que demonstraram interesse pela formação continuada, porém, não tiveram condições monetárias de investimento naquele momento (ALFARO, CLESAR; GIRAFFA, 2020).
Nota-se ainda que, mesmo antes da pandemia, professores da rede pública tinham menos interação com as tecnologias digitais na modalidade presencial, devido à deficiência estrutural das salas de informática, ao contrário das instituições privadas que, em sua maioria, dispõem deste subsídio. Esta diferenciação potencializa as desigualdades sociais existentes neste período pandêmico (ALFARO, CLESAR; GIRAFFA, 2020).
Destarte, no que tange ao que foi o supracitado, os desafios advindos da pandemia surtem de diversos lados pois, assim como professores tiveram de se adaptar com novas tecnologias, alunos e famílias embarcaram juntos, porque a sala de aula, tal como a conhecemos, sofreu modificações radicais, logo suas práticas também. Mas, o que preocupa é o grande hiato gerado nesse processo escolar, no qual, parte da população estudantil de classes mais baixas não tem acesso a recursos básicos tecnológicos que sustentem esse modus operandi gerado pelo coronavírus, o que poderá reverberar de forma negativa o futuro dessas crianças e adolescentes.

REFERÊNCIAS
1. ALFARO, Lisandra da Trindade; CLESAR, Caroline Tavares de Souza; GIRAFFA, Lucia Maria Martins. Os desafios e as possibilidades do ensino remoto na Educação Básica: um estudo de caso com professores de anos iniciais do município de Alegrete/RS. Dialogia, São Paulo, n. 36, p. 7-21, set./set. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.5585/dialogia.n36.18337. Acesso em: 3 ago. 2021.
2. ARRUDA, R. L.; NASCIMENTO, R. N. A. Estratégias de ensino remoto durante a pandemia de COVID-19: um estudo de caso no 5º ano do Ensino Fundamental. Revista Thema, [S. l.], v. 20, p. 37-54, 2021. DOI: 10.15536/thema.V20.Especial.2021.37-54.1851. Disponível em: https://periodicos.ifsul.edu.br/index.php/thema/article/view/1851. Acesso em: 3 ago. 2021.




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